quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Meu posicionamento

Este é o meu diploma de jornalista. Na verdade, de bacharel em Comunicação Social. Sou formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Campus Araguaia, em Barra do Garças. A expansão da universidade na região começou em 2006, e a unidade de Barra do Garças iniciou suas atividades em 2009, em meio às políticas federais de ampliação do ensino superior dos governos Lula e Dilma. Fernando Haddad comandava o Ministério da Educação naquele período.

Pasme: estudei de 2009 a 2012 e só soube, no meu último ano, quando estava perto de me formar, quem havia ajudado a tornar possível a expansão da universidade e a oferta de novos cursos. Então, não: eu não fui doutrinado pela esquerda na universidade pública. Quem dera tivesse descoberto antes que a política de expansão do ensino superior federal, iniciada no governo Lula e continuada depois, ajudou a me dar a oportunidade de estudar o que eu sonhava. Talvez eu tivesse saído mais cedo do breu e o conforto da ignorância em que tantas pessoas ainda vivem.

Esse, por si só, poderia ser um dos motivos do meu voto neste domingo, dia 25. Mas minha decisão vai muito além disso. Desde cedo, procuro ouvir, ver, ler, estudar, questionar e pensar. Raciocinar. Desde o início do ensino médio, passando pelo curso superior e chegando ao mercado de trabalho, tenho a sensação de estar saindo de um buraco de ignorância em que muita gente ainda permanece.

Por falar em trabalho, desde 2013 — já são 13 anos de carreira — venho entendendo, na prática, como funciona a política neste país. Ser jornalista no Brasil definitivamente não é fácil. Conheci os extremos dos dois lados, da esquerda e da direita, dos quais nunca gostei. Também conheci pessoas e grupos que considero sensatos e com os quais me identifiquei mais. Mas, para um jornalista, é necessário — quase obrigatório — acompanhar o que todos os lados dizem, por pior que seja.

Tenho acompanhado os feitos da direita e da esquerda em Goiânia, em Goiás, onde atuo principalmente, e também no Brasil. Na minha avaliação, o extremismo praticamente não aparece entre as iniciativas que de fato beneficiam a população. E, para ser ainda mais direto e honesto: considero a extrema direita, especialmente o bolsonarismo, o campo mais fraco quando o assunto são propostas que melhoram a vida do cidadão brasileiro.

O bolsonarismo não chega nem perto de iniciativas que transformam positivamente uma socieadade e que apurei ao longo desses anos. A família Bolsonaro está há décadas na política e ocupou cargos no Legislativo, onde parlamentares têm a possibilidade de propor mudanças importantes para a sociedade. Ainda assim, não consigo apontar, entre o que apurei, ações que se comparem às iniciativas que considero úteis para a população. Vamos ao Rio de Janeiro, onde integrantes da família Bolsonaro fizeram carreira política por décadas: o que deixaram para o estado, um dos lugares no mundo que segurança pública (carro chefe do bolsonarismo) mais enfrenta problemas graves?

E aí voltamos ao começo: tenho um diploma e sou grato por ele. Também sou grato às políticas de expansão do ensino público que ajudaram a tornar possível que eu estudasse sem precisar sair da minha região. Na época, a realidade imposta pelos meus pais era simples: ou eu estudava por ali ou não teria como, porque eles não poderiam bancar minha permanência em outro lugar. E o bolsonarismo fez o que por você? É justificável votar contra Lula apenas por ódio ao PT ou à esquerda?

Se o seu voto é movido pelo ódio, talvez o problema esteja em você, aí dentro. Nesse caso, a única coisa que posso dizer é: faça terapia. Sou jornalista e posso apresentar os fatos como os apuro, mas não consigo fazer você pensar por conta própria.

Para finalizar: esta é a minha história, mas há também pessoas sem curso superior que compartilham de experiências parecidas com a que contei. Minha intenção não é diminuir quem não tem diploma, e sim mostrar como e por que decidi meu voto e por que resolvi compartilhar esse relato. Respeito quem pensa diferente, mas tenho certeza de que devo gratidão a um governo que investiu na educação.

Foi a educação que me salvou. E foi ela, junto com meu mérito, claro, que me permitiu pagar minhas próprias contas ano após ano, ao longo desses 13 anos. Não houve um ano sequer em que eu tenha sido afetado financeiramente por essas escolhas. Mas houve quatro anos em que fui afetado psicologicamente pela escolha da maioria, temendo pela minha vida por ser quem sou. Isso eu não quero sentir nunca mais. Mas, como jornalista, digo: essa é outra pauta.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Suficiente

Tenho sentido que tê sido tudo suficiente, sabe? Espero que isso seja mais amadurecimento do que comodismo.

Um relacionamento saudável (com discussões que enriquecem e fortalecem os laços), um emprego que pagar bem (forçado a ser CNPJ, mas felizmente com muitos cliente), uma família que não me torra (tem os suportáveis e insuportáveis e ninguém me incomoda), amigos incríveis (quase todos extremamente longe, mas no coração também) e uma vida, em geral, tranquila e pacífica (com trabalho constante de ser alguém melhor pra mim e pro mundo a cada dia).

O que me leva a crer que não estou no comodismo é não estar satifesito com muita coisa, o que não diz que, no balanço final, as coisas não estejam majoritariamente bem.

Minha inconstância no relacionamento, por exemplo, é lidar com minha impaciência, meus impulsos e mania de controle, alinhando o meu tempo ao do meu parceiro de forma que ninguém sinta que haja uma competição.

Já no emprego, a última coisa que penso é em ficar rico, e o mais importante já conquistei: poder trabalhar de casa ou de qualquer lugar recebendo o justo por isso. Meus desafios e objetivos são manter isso, de forma que nada que seja essencial, me falte.

Com os amigos e família é algo parecido, quem merece e faz questão, a construção é constante e eu sei que tenho com quem contar caso eu precise. Aqui também preciso sempre alinhar expectativas, por que nem sempre o que dou, é o que receberei.

Por fim, minha vida pessoal, quanto se trata de Eu X Eu, talvez seja o mais desafiador, obviamente. Tentar ser uma pessoa melhor para mim e o mundo envolve melhorar tudo que citei anteriormente e vai além, por que estamos falando da minha vida, a única que viverei, provavelmente.

Saldo final é esse mesmo: suficiência. Fico feliz com essa palavra... Por hora.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Hiato

Acho que tem sido o maior período de tempo, nos últimos anos, sem que eu escreva, ou sinta vontade de escrever, ou tenha me sentido inspirado. Mas não acho ruim e até sei o motivo. Inclusive, neste ano meu blog chega a "maioridade". 18 anos escrevendo.

Eu não posso reclamar de nada - reclamo de quase tudo quase todo dia. Mas é por que o que depende de mim, quase tudo funciona, o que me estressa costuma vir de fora, na maioria das vezes. Óbvio que tenho minhas questões internas também.

Por falar em questões, ultimamente só o dinheiro tem sido realmente um problema, e talvez por isso eu esteja ok com tudo. Cabeça no lugar. E eu sei que isso pode mudar a qualquer momento. Quando estamos bem, não estamos imunes de não ficar bem, de regredir.

Atualmente é um dos meus medos: regressão.

Mas, tá! Vamo indo...

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Abril resolveu fechar

 Abril se encerrou como um dos meses com mais desafios dos últimos tempos. Eu tive 12 meses seguidos de fartura e poucas preocupações, mas então a vida deu notícias e eu precisei lidar com muitas, muitas informações desagradáveis.

Estranhamente eu acabei não vindo escrever antes, mas aqui estou, e sem muito o que dizer. Não por que estou triste ou estava desanimado (por que já passou), mas acho que por que estava muito difícil lidar com tudo de uma vez, ainda está um pouco, então escrever não foi uma opção.

Só não deixei de vir, pra manter meu compromisso comigo e mesmo e dizer, também a mim mesmo, que, além de saber que tudo vai melhorar, também não há muito o que eu possa fazer além da minha parte e é isso.

Eu estava frustrado e ressentido porque ninguém vai me salvar, mas isso, convenhamos, é ridículo. Então, vida que segue e vou fazendo o que posso um dia após o outro. Que maio, junho, julho... abram tudo que abril fechou.

domingo, 29 de março de 2026

As manhãs de outono ainda são uma delícia

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

35 é um número qualquer

35 é um número qualquer, não é tão atraente como 20 ou impactante como 60, mas, em anos, representa uma importante parcela da minha vida que pode ser considerada, inclusive, metade.

O lado bom é que não devemos definir nossa vida em tempo, mas em momentos. Então me recuso a dizer que já vivi metade de algo. Eu vivi inteiro, sempre que pude.

Só nos últimos cinco anos, por exemplo, eu sinto que vivi muito mais de uma década em experiências. É como eu sinto. E isso conta.

Então, espero do fundo do meu coração, enquanto ele suportar, que eu possa continuar vivendo muito no pouco que nos é dado (falo de tempo e recurso).

Eu acho que sou incapaz de ser diferente. Não sei se é o medo ou a consciência, só sei que ser assim me traz problemas, mas também soluções.

Talvez essa seja a felicitação mais sem graça que eu poderia me dar, mas tem um valor nisso: simplesmente sei que o que estou sentindo é passageiro, seja gostoso ou desconfortável, vai passar! 

E comemorar minha 35ª volta ao sol, afinal, não significa nada.

Ao menos é a forma como eu aprendi a lidar, para não sofrer com a falta.

Novamente, pode parecer indiferença, mas definitivamente não é... a pouca comemoração no dia de hoje, tem um peso imensurável de emoção e sentimento.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O primeiro de 2026, não tão otimista

Apesar de eu não ter motivos pra reclamar e ter razões para comemorar e agradecer, eu também estou com pretextos para me sentir triste e angustiado. Não era assim que queria que fosse o primeiro texto do ano, mas cá estamos outra vez desovando emoções.

Importante começar escrevendo que eu já sei da importância de momentos como estes. Ainda assim, não é confortável e provavelmente nunca será.

Rodeado de dúvidas, incertezas e inseguranças, me sinto incapaz de identificar se sou valorizado como deveria, se ajo como precisaria e se tomo as decisões corretas.

É muito difícil colocar as coisas na balança, pois eu tenho meus pesos e medidas e o universo fora de mim tem outros. O pior é que são tão voláteis quanto o tempo.

Talvez eu precise, agora, ser ainda mais paciente. Preciso também ter menos medo e me importar menos com minhas previsões.

Pra falar a verdade eu mal consigo escrever o que estou sentindo. Está tudo meio confuso. Talvez seja o inferno astral já agindo.

Mas hoje eu vou me dar ao direito de apenas deixar fluir.