Este é o meu diploma de jornalista. Na verdade, de bacharel em Comunicação Social. Sou formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Campus Araguaia, em Barra do Garças. A expansão da universidade na região começou em 2006, e a unidade de Barra do Garças iniciou suas atividades em 2009, em meio às políticas federais de ampliação do ensino superior dos governos Lula e Dilma. Fernando Haddad comandava o Ministério da Educação naquele período.
Pasme: estudei de 2009 a 2012 e só soube, no meu último ano, quando estava perto de me formar, quem havia ajudado a tornar possível a expansão da universidade e a oferta de novos cursos. Então, não: eu não fui doutrinado pela esquerda na universidade pública. Quem dera tivesse descoberto antes que a política de expansão do ensino superior federal, iniciada no governo Lula e continuada depois, ajudou a me dar a oportunidade de estudar o que eu sonhava. Talvez eu tivesse saído mais cedo do breu e o conforto da ignorância em que tantas pessoas ainda vivem.
Esse, por si só, poderia ser um dos motivos do meu voto neste domingo, dia 25. Mas minha decisão vai muito além disso. Desde cedo, procuro ouvir, ver, ler, estudar, questionar e pensar. Raciocinar. Desde o início do ensino médio, passando pelo curso superior e chegando ao mercado de trabalho, tenho a sensação de estar saindo de um buraco de ignorância em que muita gente ainda permanece.
Por falar em trabalho, desde 2013 — já são 13 anos de carreira — venho entendendo, na prática, como funciona a política neste país. Ser jornalista no Brasil definitivamente não é fácil. Conheci os extremos dos dois lados, da esquerda e da direita, dos quais nunca gostei. Também conheci pessoas e grupos que considero sensatos e com os quais me identifiquei mais. Mas, para um jornalista, é necessário — quase obrigatório — acompanhar o que todos os lados dizem, por pior que seja.
Tenho acompanhado os feitos da direita e da esquerda em Goiânia, em Goiás, onde atuo principalmente, e também no Brasil. Na minha avaliação, o extremismo praticamente não aparece entre as iniciativas que de fato beneficiam a população. E, para ser ainda mais direto e honesto: considero a extrema direita, especialmente o bolsonarismo, o campo mais fraco quando o assunto são propostas que melhoram a vida do cidadão brasileiro.
O bolsonarismo não chega nem perto de iniciativas que transformam positivamente uma socieadade e que apurei ao longo desses anos. A família Bolsonaro está há décadas na política e ocupou cargos no Legislativo, onde parlamentares têm a possibilidade de propor mudanças importantes para a sociedade. Ainda assim, não consigo apontar, entre o que apurei, ações que se comparem às iniciativas que considero úteis para a população. Vamos ao Rio de Janeiro, onde integrantes da família Bolsonaro fizeram carreira política por décadas: o que deixaram para o estado, um dos lugares no mundo que segurança pública (carro chefe do bolsonarismo) mais enfrenta problemas graves?
E aí voltamos ao começo: tenho um diploma e sou grato por ele. Também sou grato às políticas de expansão do ensino público que ajudaram a tornar possível que eu estudasse sem precisar sair da minha região. Na época, a realidade imposta pelos meus pais era simples: ou eu estudava por ali ou não teria como, porque eles não poderiam bancar minha permanência em outro lugar. E o bolsonarismo fez o que por você? É justificável votar contra Lula apenas por ódio ao PT ou à esquerda?
Se o seu voto é movido pelo ódio, talvez o problema esteja em você, aí dentro. Nesse caso, a única coisa que posso dizer é: faça terapia. Sou jornalista e posso apresentar os fatos como os apuro, mas não consigo fazer você pensar por conta própria.
Para finalizar: esta é a minha história, mas há também pessoas sem curso superior que compartilham de experiências parecidas com a que contei. Minha intenção não é diminuir quem não tem diploma, e sim mostrar como e por que decidi meu voto e por que resolvi compartilhar esse relato. Respeito quem pensa diferente, mas tenho certeza de que devo gratidão a um governo que investiu na educação.
Foi a educação que me salvou. E foi ela, junto com meu mérito, claro, que me permitiu pagar minhas próprias contas ano após ano, ao longo desses 13 anos. Não houve um ano sequer em que eu tenha sido afetado financeiramente por essas escolhas. Mas houve quatro anos em que fui afetado psicologicamente pela escolha da maioria, temendo pela minha vida por ser quem sou. Isso eu não quero sentir nunca mais. Mas, como jornalista, digo: essa é outra pauta.
