Eu vi um minuto passar diante dos meus olhos quando olhei para o relógio ao mesmo tempo em que observava uma das montanhas mais lindas que já vi. O problema é que a paisagem era apenas a tela de fundo temporária do meu computador. Eu tenho paixão por montanhas, mas amo tudo que a natureza oferece aos olhos. Das composições mais simples às mais complexas.
Fico triste - é difícil eu escrever um texto aqui sem experienciar melancolia, aliás - quando vejo que ainda falta tanto pra conhecer no mundo. Como já disse, uma vez, experimentar sabores, odores e tato no máximo de lugares que eu puder ir planeta à fora. Mas sou grato por poder ouvir e ver pra saber que coisas como essa existem.
De todo modo, voltando à realidade, vi o minuto passar, e isso não é fácil. O tempo está voando e apesar de eu estar realizando pequenos sonhos importantes para um possível resultado a longo prazo, outras pequenas coisas desejáveis o sistema me impede de fazer. Será que eu deveria me rebelar? É difícil descobrir.
Tenho pensado, também, se tenho feito algo errado, não por me preocupar com consequências, mas apenas por querer fazer a coisa certa. Afinal, tenho consciência de que fazer coisas certas trazem bons frutos. Sei que minha vida é calma, agradeço por não haver turbulência, no sentido que envolva violência e destruição, acho que posso considerar isso um excelente fruto.
Mas quero mais, como sempre.
Lembrando, a mim mesmo e ao registro que faço, que é diária minha satisfação pelo tempo do agora. Sinto-me agradecido quando a brisa da manhã toca minha pele, quando sinto o gosto do pão com manteiga se misturar ao café quente, ao banho que tomo, ao trajeto percorrido quando vou trabalhar, ao conforto que possuo e que posso comprar.
Eu sou grato. A tudo.
Mas quero montanhas e todo resto.
terça-feira, 11 de junho de 2019
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Tudo se esvai
Só o que vejo é medo
Todos com fobia
Uns de perder a vida
Outros, a razão
Eu estou com medo
Seja lá o que houver
Nada mais será
E pra isso, o que farei?
Tão claro para uns
Tão escuro para outros
Será que quem não enxerga
Sou eu?
Há ataque iminente?
Ou a democracia está sob risco?
Há democracia?
Ou já perdemos tudo?
Eu sempre sei
Haverá esperança
Mas a vida é curta
E de quatro em quatro
Tudo se esvai
Todos com fobia
Uns de perder a vida
Outros, a razão
Eu estou com medo
Seja lá o que houver
Nada mais será
E pra isso, o que farei?
Tão claro para uns
Tão escuro para outros
Será que quem não enxerga
Sou eu?
Há ataque iminente?
Ou a democracia está sob risco?
Há democracia?
Ou já perdemos tudo?
Eu sempre sei
Haverá esperança
Mas a vida é curta
E de quatro em quatro
Tudo se esvai
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Tentativas
Em nenhum momento eu me desmereço diante um tropeço. Já tentei entender de bolsa de valores, já tentei participar melhor da política, compreender a economia da união, ser sustentável e ser até mais paciente com tudo (que é mais difícil do que política e economia), e não são tentativas as quais eu não investirei novamente. É possível que eu tente mais uma vez, a questão é que esta claro que tem coisas para as quais não nascemos, de fato.
Eu não tenho vergonha de me declarar leigo, até mesmo ignorante, porque não tem nada de mais nisso. Acho até melhor aceitar tudo que preciso melhorar, aceitar e respeitar tudo que me envolve num geral no dia a dia. Tipo, já é tudo tão difícil, o que custa, ao menos, aceitar que precisamos melhorar, sempre? Bom, eu penso assim.
Sobre as tentativas, eu penso que desistir não é a palavra certa, eu apenas pausei as experiências. Pode ser que o fato de eu saber que a vida é curta demais vá de encontro com o que penso sobre intervalos não serem adequados, mas não tenho outra escolha quando o que realmente quero é ficar deitado em uma rede procrastinando, e nem me sinto mal por isso. Só que a vida cobra, né?
De toda forma, não tem muito o que fazer, e fazer nada é bom demais. Eu preciso me respeitar, acho que extremismo não fazem bem, inclusive o de não fazer nada por tempo demais, pois isso é um extremo, assim como um louco que faz crossfit todos os dias. Não concordo. Então, vamos seguir. Vamos buscar equilíbrio e amor. As palavras chaves são essas e ponto. Já as tentativas, elam vão sempre existir.
Carpe Diem
Eu não tenho vergonha de me declarar leigo, até mesmo ignorante, porque não tem nada de mais nisso. Acho até melhor aceitar tudo que preciso melhorar, aceitar e respeitar tudo que me envolve num geral no dia a dia. Tipo, já é tudo tão difícil, o que custa, ao menos, aceitar que precisamos melhorar, sempre? Bom, eu penso assim.
Sobre as tentativas, eu penso que desistir não é a palavra certa, eu apenas pausei as experiências. Pode ser que o fato de eu saber que a vida é curta demais vá de encontro com o que penso sobre intervalos não serem adequados, mas não tenho outra escolha quando o que realmente quero é ficar deitado em uma rede procrastinando, e nem me sinto mal por isso. Só que a vida cobra, né?
De toda forma, não tem muito o que fazer, e fazer nada é bom demais. Eu preciso me respeitar, acho que extremismo não fazem bem, inclusive o de não fazer nada por tempo demais, pois isso é um extremo, assim como um louco que faz crossfit todos os dias. Não concordo. Então, vamos seguir. Vamos buscar equilíbrio e amor. As palavras chaves são essas e ponto. Já as tentativas, elam vão sempre existir.
Carpe Diem
sábado, 30 de março de 2019
Texto 500
Este é meu texto de número 500. São quase 11 anos escrevendo, me dando o auto suporte, me ajudando. É engraçado como a relação com este blog é uma das mais verdadeiras que possuo na vida, porque eu não me obrigo a escrever, não preciso de periodicidade, não preciso dele pra alimentar o ego, não o uso para fins comerciais, nem para impressionar ninguém. Eu apenas escrevo... o que sinto.
E hoje, especificamente, o dia começou incrível, mas não está acabando tão bem. Pelo menos não estava, até eu clicar aqui na barrinha mais importante deste navegador e ver que eu havia escrito (ou postado textos/músicas de outros autores) nestes últimos anos, 499 publicações. Me senti motivado o suficiente para escrever o texto de número 500.
Neste momento ouço Aretha Franklin e sou tomado por um sentimento de felicidade sobre todas as coisas pelas quais eu passei e que me fizeram escrever aqui, ou que, mesmo sem me fazer escrever, me fizeram chegar até aqui, no 500. E mesmo batendo a solidão, aquela que nos envolve mesmo estando com pessoas por perto, começo a me sentir radiante.
Nas últimas semanas decisões importantes foram tomadas, mudanças radicais foram feitas, planos e sonhos se tornaram mais próximos de concretizar e os problemas, ah os problemas, continuam na sua caixinha ridícula e decorada, fingindo serem importantes. É claro que eu me apego a falhas e medos de que tudo dê errado, mas, sinceramente? Se eu bem me conheço, no fundo, eu não estou tão preocupado assim.
A vontade física de chorar é tão grande, mas o riso e o refresco interno é tão maior, que me faz sentir uma guerra interna. É tudo intenso, e difícil de continuar explicando. Eu preciso ir viver, com licença, e muito obrigado. Que venham mais 500, 1.000, 10.000 textos e, mais do que isso, experiências ricas em vida e sentimentos.
Carpe Diem
E hoje, especificamente, o dia começou incrível, mas não está acabando tão bem. Pelo menos não estava, até eu clicar aqui na barrinha mais importante deste navegador e ver que eu havia escrito (ou postado textos/músicas de outros autores) nestes últimos anos, 499 publicações. Me senti motivado o suficiente para escrever o texto de número 500.
Neste momento ouço Aretha Franklin e sou tomado por um sentimento de felicidade sobre todas as coisas pelas quais eu passei e que me fizeram escrever aqui, ou que, mesmo sem me fazer escrever, me fizeram chegar até aqui, no 500. E mesmo batendo a solidão, aquela que nos envolve mesmo estando com pessoas por perto, começo a me sentir radiante.
Nas últimas semanas decisões importantes foram tomadas, mudanças radicais foram feitas, planos e sonhos se tornaram mais próximos de concretizar e os problemas, ah os problemas, continuam na sua caixinha ridícula e decorada, fingindo serem importantes. É claro que eu me apego a falhas e medos de que tudo dê errado, mas, sinceramente? Se eu bem me conheço, no fundo, eu não estou tão preocupado assim.
A vontade física de chorar é tão grande, mas o riso e o refresco interno é tão maior, que me faz sentir uma guerra interna. É tudo intenso, e difícil de continuar explicando. Eu preciso ir viver, com licença, e muito obrigado. Que venham mais 500, 1.000, 10.000 textos e, mais do que isso, experiências ricas em vida e sentimentos.
Carpe Diem
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Resoluções para nota
É importante, ainda mais pra mim, registrar o que espero a curto prazo, durante este ano de 2019, em forma de lista:
- Definitivamente eu preciso de um conjunto de roupa de cama de casal;
- Acredito que eu preciso de alguns móveis mais, como um criado e algumas prateleiras;
- Um sofá faz muita falta e, sim, eu não tenho um;
- Acho válido comprar um Playstation 4 novamente, oremos;
- Começar a fazer natação, ou algum tipo de luta. É uma vontade que tenho;
- Dois óculos, ambos com grau, um simples e um de sol;
- Colocar, de uma vez por todas, aparelho nos meus dentes;
- Começar um curso de inglês, eu preciso ser, no mínimo, bilíngue;
- Sair do país, também pela primeira vez;
- Começar uma pós graduação;
- Fazer minha primeira viagem de carro sozinho ou, pelo menos, dirigindo (sugestão: chapada dos veadeiros. A primeira de muitas). Fazendo essa, automaticamente realizo outra que é a de conhecer um lugar que nunca fui;
- Mais contato com a natureza. Eu busco cada vez mais;
- Ser firme na realização de obrigações caseiras e profissionais;
- Tentar ler mais, estudar mais e, quem sabe, meditar, né?;
- Sonhar mais e me amar mais;
Claro que isso é o que eu quero, e que eu quero muito mais, mas, para este ano, mas sejamos realistas, pacientes e work bitch!
Carpe Diem
- Definitivamente eu preciso de um conjunto de roupa de cama de casal;
- Acredito que eu preciso de alguns móveis mais, como um criado e algumas prateleiras;
- Um sofá faz muita falta e, sim, eu não tenho um;
- Acho válido comprar um Playstation 4 novamente, oremos;
- Começar a fazer natação, ou algum tipo de luta. É uma vontade que tenho;
- Dois óculos, ambos com grau, um simples e um de sol;
- Colocar, de uma vez por todas, aparelho nos meus dentes;
- Começar um curso de inglês, eu preciso ser, no mínimo, bilíngue;
- Sair do país, também pela primeira vez;
- Começar uma pós graduação;
- Fazer minha primeira viagem de carro sozinho ou, pelo menos, dirigindo (sugestão: chapada dos veadeiros. A primeira de muitas). Fazendo essa, automaticamente realizo outra que é a de conhecer um lugar que nunca fui;
- Mais contato com a natureza. Eu busco cada vez mais;
- Ser firme na realização de obrigações caseiras e profissionais;
- Tentar ler mais, estudar mais e, quem sabe, meditar, né?;
- Sonhar mais e me amar mais;
Claro que isso é o que eu quero, e que eu quero muito mais, mas, para este ano, mas sejamos realistas, pacientes e work bitch!
Carpe Diem
domingo, 20 de janeiro de 2019
Inconstante e sensível
É isso que somos, inconstantes e sensíveis demais
Será que é culpa dos astros em grande parte?
Que uma geração inteira se pareça assim?
Impossível manter estabilidade e saúde mental
Com a forma como lidamos com a vida
As vontades não são compatíveis com necessidade
As remunerações não ornam com o tempo trabalhado
E tudo parece correr rápido demais, sem trégua
Me recuso a coisas que outros fazem por uma vida
Me entrego por coisas demasiadas efêmeras e sem valor
Não sou capaz de compreender sempre, mas sinto
Sinto tanto, que lamento sentir e, com facilidade, desisto
Chega disso, precisa acabar, mas não se sabe como
Será que é culpa dos astros em grande parte?
Que uma geração inteira se pareça assim?
Impossível manter estabilidade e saúde mental
Com a forma como lidamos com a vida
As vontades não são compatíveis com necessidade
As remunerações não ornam com o tempo trabalhado
E tudo parece correr rápido demais, sem trégua
Me recuso a coisas que outros fazem por uma vida
Me entrego por coisas demasiadas efêmeras e sem valor
Não sou capaz de compreender sempre, mas sinto
Sinto tanto, que lamento sentir e, com facilidade, desisto
Chega disso, precisa acabar, mas não se sabe como
domingo, 30 de dezembro de 2018
Noite fria em Campinas
Cheguei às zero hora e meia do dia pós Natal. Fiquei surpreso pela pontualidade do ônibus em desembarcar na rodoviária da cidade de Campinas, São Paulo, no horário previsto, mesmo com o trânsito que pegamos antes da rodovia dos migrantes, próximo a cidade de Cubatão.
Outro fato que recordo é que apesar do calor feito nos últimos dias, naquela noite ventava e fazia muito frio, que senti apenas após o desembarque. Eu sempre preparado, com agasalho para estes casos, subi a escada rolante que se apresentava no meio do corredor. O local estava quase vazio: uma cafeteria aberta e algumas pessoas espalhadas, ligadas às tomadas que alimentavam seus celulares.
Eu ficaria ali até as 08 horas da manhã, quando de fato minha carona chegaria e me levaria pra casa, em Goiânia. Mas a falta de sono e a tentação de descobrir algo novo era maior, e me conectar a um aplicativo gay me proporcionaria isso. Não era novidade no meu dia a dia.
Fato e feito, em menos de meia hora encontrei um rapaz que procurava por companhia sexual e que me convidou a passar a noite em seu apartamento. Lembro que, naquele momento, saí da rodoviária enquanto uma senhor de meia idade acordava entre os bancos dispostos no corredor e dizia aleatoriamente - "Você não vai roubar minha aposentadoria, não adianta apontar a arma pra mim" e outras frases sem sentidos, provenientes de algum possível problema mental. Definitivamente eu não queria estar ali.
Pois bem, a caminho da casa do rapaz, eu observava suas fotos. Aparentemente era belo. Até demais pra eu acreditar que aquilo era real aquela hora da noite. Mas depois que o carro me deixou no edifício do garoto, atravessei o vento frio que continuava cortando pela varanda daquele prédio e subi o elevador até o décimo andar comprovei, pra minha surpresa, que se tratava de um dos homens mais belos que eu já tinha visto.
Ele tinha a minha altura, os famosos 1,82, mas era o verdadeiro caucasiano, com um corpo entre o esbelto e torneado, quase perfeito. Mas o melhor era o rosto. Olhos tão puxados quanto os meus, em um rosto quadrado e de maçãs simetricamente protuberantes, nariz médio, reto, e uma boca pequena, encaixa naquela barba loira acobreada que chegava até seus cabelos lisos e de mesma cor, formados em um topete natural.
Eu precisei observá-lo por um bom tempo enquanto ele me levava perto do quarto. Mas percebi que passei por um apartamento praticamente vazio. Um pouco assustador. No seu quarto a primeira coisa a ser vista era uma TV, definitivamente maior que a cama. Do outro lado, apenas um guarda roupa antigo de mogno embutido.
Sentamos, ele pediu pra que eu escolhesse o tipo de música pra tocar, e pra ser sempre o diferente, pedi indie folk. Enquanto ele procurava playlist, ele contava que estava se mudando pra outro apartamento, por isso o vazio. Também me contou que era analista de uma empresa multinacional, a qual não cabe dizer.
Nesses primeiros minutos pude perceber que a beleza interior não era tão vigente como a exterior. Parecia um pouco prepotente, debochado. Mas quanto a isso, não cabe a mim julgar, já que não passamos mais que cinco horas juntos.
Quando a música começou, fizemos o de praxe: beijamos e nos abraçamos até que não houvesse mais roupas no vestindo. A única resistência dele, nesse meio tempo, foi de não transar nos primeiros minutos, mas o sexo aconteceu, e os detalhes desse momento não fazem parte deste texto.
Isso por quê, após o coito, pegamos no sono nos acariciando, cobertos por uma fina manta, eu tive um dos piores sonhos da minha vida. E é definitivamente aqui que a história começa.
Resolvi ter um dos sonhos mais reais dos quais me lembro em muito tempo. E o que era? Uma ceia entre as famílias minha e do ex-namorado. Aquilo foi uma bagunça. Ele estava com o atual namorado, mas eu estava lá, interagindo com todos familiares de mabas as partes.
Não é algo a se explicar. Sonhos são esquisitos. Mas foi algo dolorido até o momento em que acordei de supetão, com um ronco do garoto que estava ao meu lado. A princípio, meu cérebro se confundiu sobre o que era realidade, pois eram duas vidas paralelas reais demais. Depois dos primeiros minutos, porém, já consegui perceber o que era real ali.
Era real o fato de que eu estava dormindo na cama de um estranho, como venho fazendo a anos. Buscando, além do prazer efêmero, não sei mais o quê. Algo que vejo e relato como problema constante e que exige de mim uma luta diária.
Depois dessa grande reflexão que durou segundos, peguei no sono novamente e acordei na hora certa para que eu pudesse voltar a rodoviária e pegar minha carona de volta pra casa. Me arrumei, chamei um carro, acordei o homem de um noite apenas e ele me acompanhou até a porta de saída.
Já no pátio do prédio, avistei o carro do aplicativo. Ainda fazia frio em Campinas, mas já não era noite.
Outro fato que recordo é que apesar do calor feito nos últimos dias, naquela noite ventava e fazia muito frio, que senti apenas após o desembarque. Eu sempre preparado, com agasalho para estes casos, subi a escada rolante que se apresentava no meio do corredor. O local estava quase vazio: uma cafeteria aberta e algumas pessoas espalhadas, ligadas às tomadas que alimentavam seus celulares.
Eu ficaria ali até as 08 horas da manhã, quando de fato minha carona chegaria e me levaria pra casa, em Goiânia. Mas a falta de sono e a tentação de descobrir algo novo era maior, e me conectar a um aplicativo gay me proporcionaria isso. Não era novidade no meu dia a dia.
Fato e feito, em menos de meia hora encontrei um rapaz que procurava por companhia sexual e que me convidou a passar a noite em seu apartamento. Lembro que, naquele momento, saí da rodoviária enquanto uma senhor de meia idade acordava entre os bancos dispostos no corredor e dizia aleatoriamente - "Você não vai roubar minha aposentadoria, não adianta apontar a arma pra mim" e outras frases sem sentidos, provenientes de algum possível problema mental. Definitivamente eu não queria estar ali.
Pois bem, a caminho da casa do rapaz, eu observava suas fotos. Aparentemente era belo. Até demais pra eu acreditar que aquilo era real aquela hora da noite. Mas depois que o carro me deixou no edifício do garoto, atravessei o vento frio que continuava cortando pela varanda daquele prédio e subi o elevador até o décimo andar comprovei, pra minha surpresa, que se tratava de um dos homens mais belos que eu já tinha visto.
Ele tinha a minha altura, os famosos 1,82, mas era o verdadeiro caucasiano, com um corpo entre o esbelto e torneado, quase perfeito. Mas o melhor era o rosto. Olhos tão puxados quanto os meus, em um rosto quadrado e de maçãs simetricamente protuberantes, nariz médio, reto, e uma boca pequena, encaixa naquela barba loira acobreada que chegava até seus cabelos lisos e de mesma cor, formados em um topete natural.
Eu precisei observá-lo por um bom tempo enquanto ele me levava perto do quarto. Mas percebi que passei por um apartamento praticamente vazio. Um pouco assustador. No seu quarto a primeira coisa a ser vista era uma TV, definitivamente maior que a cama. Do outro lado, apenas um guarda roupa antigo de mogno embutido.
Sentamos, ele pediu pra que eu escolhesse o tipo de música pra tocar, e pra ser sempre o diferente, pedi indie folk. Enquanto ele procurava playlist, ele contava que estava se mudando pra outro apartamento, por isso o vazio. Também me contou que era analista de uma empresa multinacional, a qual não cabe dizer.
Nesses primeiros minutos pude perceber que a beleza interior não era tão vigente como a exterior. Parecia um pouco prepotente, debochado. Mas quanto a isso, não cabe a mim julgar, já que não passamos mais que cinco horas juntos.
Quando a música começou, fizemos o de praxe: beijamos e nos abraçamos até que não houvesse mais roupas no vestindo. A única resistência dele, nesse meio tempo, foi de não transar nos primeiros minutos, mas o sexo aconteceu, e os detalhes desse momento não fazem parte deste texto.
Isso por quê, após o coito, pegamos no sono nos acariciando, cobertos por uma fina manta, eu tive um dos piores sonhos da minha vida. E é definitivamente aqui que a história começa.
Resolvi ter um dos sonhos mais reais dos quais me lembro em muito tempo. E o que era? Uma ceia entre as famílias minha e do ex-namorado. Aquilo foi uma bagunça. Ele estava com o atual namorado, mas eu estava lá, interagindo com todos familiares de mabas as partes.
Não é algo a se explicar. Sonhos são esquisitos. Mas foi algo dolorido até o momento em que acordei de supetão, com um ronco do garoto que estava ao meu lado. A princípio, meu cérebro se confundiu sobre o que era realidade, pois eram duas vidas paralelas reais demais. Depois dos primeiros minutos, porém, já consegui perceber o que era real ali.
Era real o fato de que eu estava dormindo na cama de um estranho, como venho fazendo a anos. Buscando, além do prazer efêmero, não sei mais o quê. Algo que vejo e relato como problema constante e que exige de mim uma luta diária.
Depois dessa grande reflexão que durou segundos, peguei no sono novamente e acordei na hora certa para que eu pudesse voltar a rodoviária e pegar minha carona de volta pra casa. Me arrumei, chamei um carro, acordei o homem de um noite apenas e ele me acompanhou até a porta de saída.
Já no pátio do prédio, avistei o carro do aplicativo. Ainda fazia frio em Campinas, mas já não era noite.
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