quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Suficiente

Tenho sentido que tê sido tudo suficiente, sabe? Espero que isso seja mais amadurecimento do que comodismo.

Um relacionamento saudável (com discussões que enriquecem e fortalecem os laços), um emprego que pagar bem (forçado a ser CNPJ, mas felizmente com muitos cliente), uma família que não me torra (tem os suportáveis e insuportáveis e ninguém me incomoda), amigos incríveis (quase todos extremamente longe, mas no coração também) e uma vida, em geral, tranquila e pacífica (com trabalho constante de ser alguém melhor pra mim e pro mundo a cada dia).

O que me leva a crer que não estou no comodismo é não estar satifesito com muita coisa, o que não diz que, no balanço final, as coisas não estejam majoritariamente bem.

Minha inconstância no relacionamento, por exemplo, é lidar com minha impaciência, meus impulsos e mania de controle, alinhando o meu tempo ao do meu parceiro de forma que ninguém sinta que haja uma competição.

Já no emprego, a última coisa que penso é em ficar rico, e o mais importante já conquistei: poder trabalhar de casa ou de qualquer lugar recebendo o justo por isso. Meus desafios e objetivos são manter isso, de forma que nada que seja essencial, me falte.

Com os amigos e família é algo parecido, quem merece e faz questão, a construção é constante e eu sei que tenho com quem contar caso eu precise. Aqui também preciso sempre alinhar expectativas, por que nem sempre o que dou, é o que receberei.

Por fim, minha vida pessoal, quanto se trata de Eu X Eu, talvez seja o mais desafiador, obviamente. Tentar ser uma pessoa melhor para mim e o mundo envolve melhorar tudo que citei anteriormente e vai além, por que estamos falando da minha vida, a única que viverei, provavelmente.

Saldo final é esse mesmo: suficiência. Fico feliz com essa palavra... Por hora.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Hiato

Acho que tem sido o maior período de tempo, nos últimos anos, sem que eu escreva, ou sinta vontade de escrever, ou tenha me sentido inspirado. Mas não acho ruim e até sei o motivo. Inclusive, neste ano meu blog chega a "maioridade". 18 anos escrevendo.

Eu não posso reclamar de nada - reclamo de quase tudo quase todo dia. Mas é por que o que depende de mim, quase tudo funciona, o que me estressa costuma vir de fora, na maioria das vezes. Óbvio que tenho minhas questões internas também.

Por falar em questões, ultimamente só o dinheiro tem sido realmente um problema, e talvez por isso eu esteja ok com tudo. Cabeça no lugar. E eu sei que isso pode mudar a qualquer momento. Quando estamos bem, não estamos imunes de não ficar bem, de regredir.

Atualmente é um dos meus medos: regressão.

Mas, tá! Vamo indo...

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Abril resolveu fechar

 Abril se encerrou como um dos meses com mais desafios dos últimos tempos. Eu tive 12 meses seguidos de fartura e poucas preocupações, mas então a vida deu notícias e eu precisei lidar com muitas, muitas informações desagradáveis.

Estranhamente eu acabei não vindo escrever antes, mas aqui estou, e sem muito o que dizer. Não por que estou triste ou estava desanimado (por que já passou), mas acho que por que estava muito difícil lidar com tudo de uma vez, ainda está um pouco, então escrever não foi uma opção.

Só não deixei de vir, pra manter meu compromisso comigo e mesmo e dizer, também a mim mesmo, que, além de saber que tudo vai melhorar, também não há muito o que eu possa fazer além da minha parte e é isso.

Eu estava frustrado e ressentido porque ninguém vai me salvar, mas isso, convenhamos, é ridículo. Então, vida que segue e vou fazendo o que posso um dia após o outro. Que maio, junho, julho... abram tudo que abril fechou.

domingo, 29 de março de 2026

As manhãs de outono ainda são uma delícia

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

35 é um número qualquer

35 é um número qualquer, não é tão atraente como 20 ou impactante como 60, mas, em anos, representa uma importante parcela da minha vida que pode ser considerada, inclusive, metade.

O lado bom é que não devemos definir nossa vida em tempo, mas em momentos. Então me recuso a dizer que já vivi metade de algo. Eu vivi inteiro, sempre que pude.

Só nos últimos cinco anos, por exemplo, eu sinto que vivi muito mais de uma década em experiências. É como eu sinto. E isso conta.

Então, espero do fundo do meu coração, enquanto ele suportar, que eu possa continuar vivendo muito no pouco que nos é dado (falo de tempo e recurso).

Eu acho que sou incapaz de ser diferente. Não sei se é o medo ou a consciência, só sei que ser assim me traz problemas, mas também soluções.

Talvez essa seja a felicitação mais sem graça que eu poderia me dar, mas tem um valor nisso: simplesmente sei que o que estou sentindo é passageiro, seja gostoso ou desconfortável, vai passar! 

E comemorar minha 35ª volta ao sol, afinal, não significa nada.

Ao menos é a forma como eu aprendi a lidar, para não sofrer com a falta.

Novamente, pode parecer indiferença, mas definitivamente não é... a pouca comemoração no dia de hoje, tem um peso imensurável de emoção e sentimento.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O primeiro de 2026, não tão otimista

Apesar de eu não ter motivos pra reclamar e ter razões para comemorar e agradecer, eu também estou com pretextos para me sentir triste e angustiado. Não era assim que queria que fosse o primeiro texto do ano, mas cá estamos outra vez desovando emoções.

Importante começar escrevendo que eu já sei da importância de momentos como estes. Ainda assim, não é confortável e provavelmente nunca será.

Rodeado de dúvidas, incertezas e inseguranças, me sinto incapaz de identificar se sou valorizado como deveria, se ajo como precisaria e se tomo as decisões corretas.

É muito difícil colocar as coisas na balança, pois eu tenho meus pesos e medidas e o universo fora de mim tem outros. O pior é que são tão voláteis quanto o tempo.

Talvez eu precise, agora, ser ainda mais paciente. Preciso também ter menos medo e me importar menos com minhas previsões.

Pra falar a verdade eu mal consigo escrever o que estou sentindo. Está tudo meio confuso. Talvez seja o inferno astral já agindo.

Mas hoje eu vou me dar ao direito de apenas deixar fluir.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Balanço 2025, da vida até aqui

Ainda faltam alguns dias para o fim do ano, mas eu posso dizer, eu posso admitir: eu estou satisfeito. Não acomodado, mas certamente satisfeito. Eu tenho família , amigos e um namorado que amo, a família que dá um suporte e está presente, amigos para combinar as saídas e viagens as quais sonhei por tanto tempo, e igualmente um namorado para me acompanhar e compartilhar a felicidades comigo.

Passei dias difíceis aqui dentro da cabeça, o medo do trágico era constante. Afinal, como eu não vou ter medo de perder tudo isso que eu tô tendo? Essas pessoas incríveis, essas experiências, essa, de certa forma, calmaria, paz, plenitude, é óbvio que eu não quero perder.

Mas nos últimos dias acho que consegui me aquietar e entender, que tudo bem, tudo bem tudo. Tudo bem ter medo, tudo bem o desequilíbrio, tudo bem o desespero, mas, poxa, aproveita também, né? Se tá tudo bem, de que adianta tanta preocupação que vai acabar? Vai viver o momento.

Uma das coisas que eu mais devo ter repetido pra mim mesmo durante a vida foi coisas como carpe diem, aproveite o dia, aproveite o momento etc. Como é difícil. Mas talvez eu esteja conseguindo por esses dias. Não é algo como um troféu que você consegue e está garantido, as vezes dá, as vezes não dá.

Conquista diária, luta constante.

Mas, hoje me arrisquei e vim dizer que sim, o balanço de 2025 e da vida, até aqui, foi extremamente positivo, e eu posso relaxar e dizer que eu estou satisfeito e não há motivos para reclamar quando se trata de como o universo, o meu mundo, daqui de dentro do meu ser para fora, está sendo.

Tanta coisa ainda me incomoda, tanta coisa me faz sofrer, temer, pesar. Mas o balanço é pra isso, analisar. É tudo tão rápido e curto, e nesse mero instante, seja esse minuto que escrevo, seja a vida que terei, parece que eu sou realmente privilegiado, não importa quem tem mais, quem tem menos, mas por eu não querer ter mais, e agradecer por não ter menos, eu sei que tô no caminho que aceitei ter a vida que tenho.

Pelo menos agora, tô feliz com isso.

sábado, 15 de novembro de 2025

Me recuso a ter uma vida medíocre

Embora eu tenha! Por ser isso um fator social e político na vida da grande maioria das pessoas. Mas eu me recuso a aceitar ter uma vida medíocre e, por isso, eu tento dar valor a coisas pequenas e, ainda mais, ser intenso como sou.

Talvez o fato de ser intenso não possa ser considerado exatamente uma virtude, por que isso me trouxe incontáveis embates com outros pessoas e comigo mesmo. Mas, também trouxe coisas boas, pelo menos e por enquanto, eu considero ser.

Ser intenso e ansioso me fizeram viver muita coisa em pouco tempo, ao menos pra mim, sinto que vivi muito mais nos últimos 7 anos (entre 2019 e 2025), quando finalmente consegui alcançar uma vida financeira mais adequada, do que nos sete anos antecedentes (2012 a 2029), quando estava no início da carreira e o dinheiro não dava pra muito mais do que comida e contas.

Digo que foi a intensidade e ansiedade, por que foram elas que me moveram, eu sempre penso muito - e, novamente, não acho que isso é tão saudável - sobre se eu morrer cedo, ou se eu não me impor, ou se eu não arriscar, o que vai sobrar?

Se eu não tivesse discutido com cada chefe meu, se eu não tivesse pedido tantas demissões, se eu não tivesse coragem de dizer tantas verdades pras pessoas, onde será que eu estaria? Se eu não tivesse colocado minhas vontades e desejos em cada relação em que me machuquei e machuquei outras pessoas pensando no melhor para cada um, o que eu estaria vivendo?

Ainda sobre ser medíocre, quando eu disse que sou, afinal, é por que quando eu olho de longe, do panorama geral da sociedade, eu sou apenas um adulto que não tem economias, gastando quase todo seu dinheiro mensal com prazeres como comida, viagens e entretenimento. 

Eu não tenho uma casa própria, um carro, investimentos, nada, moro em um quarto do ateliê do meu melhor amigo e se eu pagasse por um apartamento mal poderia bancar meus "luxos" e não sou nem sequer inteligente ou cruel o suficiente para multiplicar o meu dinheiro e deixar, de fato de ser medíocre.

Mas também, quando digo que me recuso a ser medíocre, é por que olhando de perto, do panorama em que, independente de como seja o mundo, só eu sei como é ser eu, como é ter a minha vida, é aqui, nesse instante, em que eu posso dizer que não sou tão medíocre.

Eu sei que eu dou valor às coisas pequenas, e eu sei que mesmo com a cabeça no futuro, eu consigo aproveitar o agora. Pra mim, uma flor bonita tem tanto a ser admirada quanto uma cordilheira, e eu quero apreciar as duas sempre que eu quiser e puder.

Eu sei que eu dou tudo de mim para não perder a sensibilidade e amar o meu parceiro, minha família e meus amigos da mesma forma todo dia e não só em datas comemorativas.

E eu sei que eu preciso cuidar de mim sempre, da melhor forma que eu puder e conseguir para ter a saúde para ter condições físicas e mentais para me relacionar e trabalhar e ganhar dinheiro necessário para que eu consiga continuar lutando contra ser alguém medíocre.

E quando eu digo saúde em primeiro lugar, é a saúde em primeiro lugar, porque ela vai me dar quase tudo que preciso para viver da melhor forma se nenhuma tragédia acontecer. No mais, é torcer pra nenhuma tragédia acontecer.

Esse minuto para mim é valioso e, hoje, eu não sinto que sou medíocre.

domingo, 26 de outubro de 2025

Viver agora

Talvez seja um dos assuntos sobre o que eu mais escrevo, que é a questão do viver o presente. Talvez seja umas das coisas mais difíceis para eu fazer, ou talvez para todos e todas. Quando não estamos vivendo no passado, estamos com a cabeça no futuro... e pra isso, já dizia Buda:

"Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre-se no momento presente".

...e ainda George Orwell:

“Quem controla o presente controla o passado. Quem controla o passado controla o futuro.”

Tentando não levar a fundo demais a questão do controle, podemos dizer, apenas que esta palavra remete justamente ao fato de que é preciso estar atento ao presente, e assim, consequentemente, o passado e futuro terão seus papéis, que são, respectivamente, "já foi" e "ainda vai ser".

É uma coisa a ser lembrada diariamente, a questão é que são tantas as coisas que precisam ser lembradas diariamente que fica difícil lembrar de tudo.

Neste momento tô aqui escrevendo sobre isso e ok, mas não deixo de estar preocupado, principalmente recentemente, com minha saúde. Eu sinto que meu corpo está um pouco diferente e, novamente, difícil saber se apenas psicológicamente, fisicamente ou ambos.

Eu quero viver o máximo que eu puder e vivendo o agora, eu não quero partir ainda e mais: eu não quero pensar na hipótese de morrer dando trabalho aos outros, e por algum motivo isso é o que mais tem me assombrado recentemente: morrer de forma totalmente imprevisível levando aos meus próximos a terem que abandonar suas rotinas pra lidar com um corpo que já não tem vida.

Tenho pensando nisso por que coloquei na minha cabeça ou minha cabeça colocou em alerta por algum outro motivo, que meu coração está parecendo mais fraco que normalmente já era.

Enfim, eu vou lutar contra esses pensamentos e fazer o possível pra descobrir se tem algo de errado, pra poder me manter em pé e saudável, aproveitando e vivendo o agora!

terça-feira, 30 de setembro de 2025

A tempo pra setembro

Acho que é o quinto mês em que não sinto tanta necessidade de escrever aqui. Isso aconteceu diversas vezes nos últimos anos, mas, mesmo não me cobrando para vir aqui despejar as palavras, tenho me obrigado a escrever, no mínimo, uma vez por mês.

Já que faltam menos de dez minutos para setembro acabar, vou só dizer do saldo desses últimos meses: positivo. Tenho vivido uma fase boa, tenho tido mais momentos felizes, tenho amado, tenho aceitado os dias mais difíceis - não sem a ajuda das pessoas que me cercam - e acredito que eu esteja sendo uma pessoa melhor no geral.

Como sempre lembro, quero ser cada vez melhor pra mim e pros outros conforme o tempo vai passando.

Não tem muito mais o que dizer hoje.

Eu sei que tenho conseguido viver um dia de cada vez e extraindo os momentos que realmente importam. Mas ainda preciso controlar a ansiedade pelo que vem, é tanta pressa, e não entendo por que. As vezes acho que é pra que eu consiga viver tudo que quero a tempo, antes de partir...

...Mas aí lembro que assim, ansiando pelo futuro, é quase como partir mais rápido.

Acho que uma pequena lição do que tô sentindo aqui e agora é: aceite melhor o tempo presente e tente viver o pouco com qualidade, do que o muito com incompletude.

Deu tempo!

23h59

Carpe Diem e que venha outubro!

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Saudades pontuais

Às vezes sinto algo esquisito de uns anos pra cá, que parece até errado. Sentir saudades pontuais de elementos da minha rotina dos lugares em que vivi. Parece errado por que é um sentimento forte o suficiente para me fazer refletir se eu deveria voltar.

É quase como sentir que eu não sei o que quero, só por que queria estar 100% bem vivendo onde estou e isso parece impossível. É impossível. Nunca nada será 100%, parece.

Por exemplo, sinto falta de poder fazer as trilhas com cachoeiras em Barra do Garças aos finais de semana. Me dá saudades pensar que, em Goiânia, eu já conhecia cada canto da cidade e sabia exatamente onde ir a cada ocasião.

É muito bom lembrar e me traz um conforto gigante das vezes em que tinha um dia livre e passeava por qualquer lugar de Porto, tantos lugares lindos, até mesmo em um dia chuvoso (era muitos). Quase toda semana descobria um lugar novo, uma quinta, um parque, um vilarejo, uma praia...

Em Lisboa, sinto saudades de despencar pra praia de nudismo longe de tudo e esquecer o mundo, ou pelo contrário, me enfiar na área turística da cidade e me estressar com a multidão e lembrar como o mundo é.

Em João Pessoa, nem se fala, sinto falta do meu cantinho gramado na praia de Manaíra e das minhas idas à praia de Tambaba, foram meses mágicos.

Também tenho minhas saudades de São Paulo, mas agora morando aqui novamente, posso realizar tudo que gosto de fazer por aqui. O que não é de todo ruim.

Ainda assim permanece a maior sensação de falta de todas: de que eu deveria continuar sem rumo por aí, mas dentre as diversas coisas que faltam, o dinheiro é a maior delas, e tá tudo bem, ainda mais por estar perto do meu amor.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Dias de viver

Nas últimas semanas foram vários os picos de inspiração, mas em nenhum momento eu parei, de fato, para escrever e às vezes isso acontece, mesmo. Acontece por que sou eu vivendo de uma forma diferente. Na maioria das vezes escrevo quando estou triste, mais solitário, a inspiração vem, as palavras servem como dreno.

Janeiro, fevereiro e março foram meses difíceis, mesmo lá acontecendo muitas coisas boas, mas o que tenho vivido desde abril é indescritíviel. Pra mim, é viver da melhor forma. Quase não há preocupações ocupando a minha mente e os dias vão cada um de uma forma mais gostosa que a outra

Hoje acaba julho, mas eu tinha que deixar ao menos um registro de que está tudo bem e que igualmente tudo bem que isso não dura pra sempre, por que a vida é assim, mas eu vou aproveitar cada segundo desse fluxo de deleite por que a gente sabe e eu já escrevi mil vezes: a vida é curta.


domingo, 15 de junho de 2025

Eu vejo você

Pelo menos, no que eu puder enxergar nestes dois meses. Eu vejo você. Mesmo sem ter certeza, era para o que eu estava disposto desde o Carnaval do último ano, ou as outras oportunidades que perdemos. Mas tudo no seu tempo, né?

Mas o que eu vejo em você? Eu vejo um homem admirável, atraente, interessante e bondoso. Seja pela inteligência ou pela segurança que você transmite, pela forma como se comunica. Cada gesto, cada ato, cada palavra.

Óbvio que grande parte disso tudo também vem da forma como me trata, ou seja, aquele papo de "você não gosta da pessoa, gosta da forma como ela te trata", mas depois de 34 anos de vida eu tenho aprendido a desconstruir, um pouco que seja, o ideal que formamos na mente quando se trata de enxergar um potencial bom parceiro, e você parece ser um.

O que eu quero dizer, além de tudo que já escrevi, é que pensando sobre suas virtudes e defeitos, eu vejo alguém que vale a pena ter ao lado. E olha, eu não imaginava que ia sentir algo tão intenso tão cedo, então me dá um desconto. E outra, independente do que aconteça, eu não vou dizer o contrário: você vai continuar sendo uma pessoa que valha a pena e que vou admirar sempre.

É difícil explicar, só sei que estou feliz por estar compartilhando as coisas com você, alguns planos possíveis, as coisas simples, noites juntos e o interesse que você demonstra em mim e nas coisas que eu digo, que eu trago, que eu sugiro, e vice-versa, que é recíproco, faz com que eu me sinta mais vivo.

O mínimo que eu posso fazer, que eu tento todo dia, é retribuir para que você também se sinta assim. Se eu puder te fazer feliz enquanto estiver do seu lado, tô feliz também. 

O que mais eu posso dizer? Apenas uma coisa: eu quero ver muitos mais.

sábado, 10 de maio de 2025

Bancar o que sinto

Eu tenho recebido sinais de todos os tipos, os quais me fazem me questionar sobre o que sinto, como devo agir, se corro algum perigo, se estou acertando. Sobre este último, acertar, é uma boa maneira de dizer, porque de fato não há certo ou errado considerando a perspectiva do agir, mas acertar ou errar acredito que existe, sim, se alcançar o objetivo almejado. 

O fato é que, refletindo, independente dos acertos e erros, eu caí numa armadilha ao pensar que devo conter o que sinto para não cometer os mesmos "erros". Sabe, de tanto ouvir aquilo de "errar uma vez é humano, duas é burrice", e coisas do tipo, dá aquele medo de repetir padrões ano após ano e aí morrer sem ter vivido de uma forma mais plena e merecedora.

Mas a armadilha da qual eu me refiro é justamente achar que vamos cometer os mesmos erros quando, na verdade, as experiências são únicas. Não me interprete mal, eu estou falando, especificamente, de relacionamentos e decisões que envolvam emoções. É diferente de, por exemplo, de ações que te fizeram mal e comprovadamente irão continuar fazendo caso você repita.

Embora ambos indicadores possam se cruzar, vou tentar me ater ao que eu disse sobre relações e decisões emotivas. Eu tenho algumas várias experiências românticas, algumas mais parecidas que outras entre si, mas nunca iguais, o que me leva a pensar que, contendo meus sentimentos sobre uma nova pessoa, eu estarei me livrando de uma experiência ruim que já vivi?

Chega a ser um paradoxo. Primeiro, porque as experiências "ruins" que vivi em relacionamentos passados não existiram sozinhas. Com elas vieram inúmeras alegrias, prazeres e contentamentos. Afinal, quem precisa medir se valeu a pena ou não somos nós mesmos e, digo com propriedade: TODAS as relações que tive valeram à pena, por que a cada ano que passa eu me sinto mais feliz com quem sou.

E parte de quem sou é culpa de quem passou pela minha vida, principalmente os parceiros, com quem tive mais intensidade, apesar de pouco tempo de convivência (nunca estive mais de dois anos com ninguém).

Amigos também fazem parte disso, mas, novamente, estou me atendo aos parceiros românticos.

Tudo isso que escrevi é para dizer, escrever, afirmar, autoafirmar, me convencer, se possível de que eu vou bancar o que eu sinto enquanto eu sentir.

A diferença, espero estar seguindo essa nova "regra", é que tentarei ser cada vez mais responsável, gentil, compreensivo, paciente e justo com o outro e, principalmente, comigo.

Por fim, antes que eu esqueça, quero reforçar algo que li ontem sobre arrependimentos, que tem tudo a ver com bancar o que se sente. É um resumo do que entendi lendo a parte dos 'regrets' em 'Atlas do Coração' sobre não ter arrependimentos: quem não se arrepende é porque não aprendeu nada com as experiências que viveu. Basicamente isso.

Ou seja, bancar o que se sente não é não se arrepender do que viveu, é viver APESAR do que aconteceu. Espero que faça sentido pra você, por que pra mim fez.

CARPE DIEM!


segunda-feira, 28 de abril de 2025

Ensaio

Eu estou cheio de medo, mas posso dizer que estou neutro com tendência para positivo e otimista. Embora seja cedo, não acho que haja tempo certo.

Mas tem um porém, eu não tenho nada material para oferecer, e eu nem sei mais se sei quem sou. Além disso, por mais que eu até saiba um pouco o que quero, também não sei se estou preparado para isso.

Um pouco do que eu quero: ser amado, priorizado, ajudado, cuidado, amar, priorizar, ajudar, cuidar. Eu quero experiência, tempo de qualidade e parceria.

A intensidade, força e rapidez de como tudo veio me fez ficar um pouco desconfiado. Talvez na minha cabeça ressoe "o que vem rápido, vai rápido" e eu cansei por inteiro do que é demasiado efêmero.

Eu não quero mais líquido e frágil, que escorre pelas mãos, como quase tudo é hoje em dia, como diz Bauman.

Então, eu preciso me preservar mesmo querendo muito embarcar, por que eu sei que o risco e a aposta continuam sendo grandes e a frustração se espreita a qualquer momento. Também por que a vida acontece quer queira quer não.

E os meus planejamentos, mesmo sendo necessários, não fazem com que os planos sejam úteis.

Como eu disse, estou cheio de medo, mas como sempre, eu vou mesmo assim.

sábado, 12 de abril de 2025

Tempo foi/é/será minha religião

"É engraçado por que, para ser honesta, estive triste a semana toda, eu sinto que minhas expectativas estavam altas demais ou que quanto mais velha ficamos, mais temos que justificar a vida e suas escolhas. E quanto eu estou com vocês, são tão transparentes quais foram minhas escolhas, meus erros.

Eu não tenho um sistema de fé e, bem, digo, eu tive muito... O trabalho foi minha religião por toda vida, mas eu definitivamente perdi minh fé nele e, então, eu tentei o amor e foi apenas uma religião dolorosa que fez tudo ainda pior. E aí, mesmo para mim, ser uma mãe também não me salvou.

Mas eu tive essa epifania de que eu não preciso de religião ou deus para dar significado à mnha vida, por que o tempo faz isso.

Nós começamos essa vida juntas, digo, nós passamos por coisas separadas, mais ainda assim juntas. E eu olho para vocês, e sinto que isso é cheio de significado. E eu não posso explicar, mas mesmo quando estamos na piscina falando qualquer coisa e isso ainda parece profundo.

Eu sou grata que você tem um lindo rosto. Eu sou grata que você tem uma vida linda. E eu... eu apenas estou grata de estar nesta mesa."

The White Lotus S03 EP08 | Laurie’s Monologue at Dinner with Kate and Jacky

Assim como para muitas pessoas, o monólogo da Laurie no último episódio de The White Lotus se encaixou para mim também. Em mais um dos meus momentos de tristeza - que a cada ano tenho aprendido a aceitar como uma emoção visitante, assim como todas - por mais esta fase de mudanças, saudades, dúvidas, preocupações e angústias, sinto que posso aprender mais e mais a cada dia.

Isso tudo só serve, no entanto, para que eu não seja ignorante quanto às minhas ações em geral. Vou continuar falhando tanto quanto acertando, mas eu preciso dessa consciência para fazer isso sem machucar ninguém, nem a mim mesmo, de forma a causar dor e sofrimento constantes.

Considerando isso, esse monólogo digno de premiação e as lições com as quais eu tenho tido contado recentemente, só queria pontuar, hoje, o que acho que preciso fazer para que eu tenha uma qualidade de vida - psíquica - mais saudável possível. Isso inclui:

  • Conexão livre de possessividade
  • Entender o que é amar sem possuir
  • Aprender a soltar imediatamente
  • Não se culpar por erros cometidos
  • Não mudar para agradar a ninguém
  • Praticar o desapego em todas as formas
  • Deixar de controlar e seguir o fluxo
  • Viver o agora sendo grato e presente
  • Dar valor para as pequenas coisas
  • Ser otimista ao que esta ao meu alcance
  • Mudar em mim o que quero mudar no mundo
  • Planejar, mas saber abrir mão dos planos
  • Refletir sobre o que me incomoda no outro
Dentro disso, para que funcione, eu preciso abrir mão de achar que eu conseguirei ser isso e assim de forma constante. Acredito que seja impossível, até por que seguir este roteiro de forma irrestrita já seria uma forma de controle, o que se tornaria um paradoxo. Creio que se trata mais de uma prática diária que pode ajudar com que eu seja um pouquinho melhor a cada dia.

Por fim, indo um pouco contra essas filosofias bregas, cafonas, hypadas que todo mundo critica, mas que considero muito válidas, preciso contestar apenas o fato de que eu não posso agir de tal forma, por que isso me trará benefícios ou vantagens. É agir de tal forma por que SIM.

Por exemplo, eu definitivamente gosto de ter o controle das coisas, mas eu não posso abrir mão desse controle só por que isso vai fazer com que as coisas fluam, eu tenho que abrir sem pensar nos ganhos. Um exemplo mais palpável ainda é o de estar com alguém e, "soltar" apenas para que a pessoa fique. Eu preciso soltar simplesmente por que ela é um ser livre.

De novo: não posso agir seguindo essa filosofia pensando na minha conveniência, eu preciso ser melhor do que isso e fazer pensando em um bem como o todo e, assim, acredito que funcionará melhor. Ponto.

terça-feira, 1 de abril de 2025

A amendoeira-da-praia (postagem 600)

Era um dia qualquer de 2022 e eu estava rolando o feed do Instagram, como bilhões de pessoas fazem diariamente, quando um vídeo me chamou atenção: com uma música agradável, a filmagem mostrava uma árvore em uma noite qualquer em uma praia de João Pessoa, capital da Paraíba. Aquela árvore (uma amendoeira-da-praia) estava entre a areia e a calçada e se mexia enquanto era tocada pelo vento, em um ambiente praticamente deserto e a lua refletindo no mar. Aquilo não parecia perfeito, aquilo era PERFEITO.

Salvei aquele vídeo e imaginava como seria morar ali. Anos depois, não mais que três, cá estou morando em João Pessoa, desfrutando do que era apenas um sonho. Um sonho simples, pequeno, admito, mas que pode não ser de fácil acesso para muita gente. Não se trata, porém, de meritocracia, de presente de Deus, de "eu mereci", avalio apenas como: de alguma forma fui e fiz. 

Este texto, porém, é mais uma despedida do que o sonho realizado por si, já que eu estou indo embora daqui hoje. Sinto que meu tempo na cidade já deu. Foi o suficiente. Mas só recentemente, caminhando pela praia a noite, aqui perto de casa, sentindo o vento, vendo a lua refletida no oceano e, claro, vendo uma amendoeira-da-praia (também chamada de sete-copas e outras dezenas de nomes), é que me dei conta desse pequeno sonho foi realizado, e muito bem realizado.

Lembrei do vídeo que salvei por tanto tempo, que eu assistia frequentemente até que caiu no esquecimento. No fim, eu tive o privilégio de vir morar a apenas alguns metros de uma praia que poderia ser muito bem aquela praia do vídeo. E não só é uma praia, como é uma praia bonita, pouco frequentada, segura, agradável e foi minha por longos rápidos quatro meses.

Por vezes, eu vejo esses pequenos sonhos se realizarem e entendo o por que eu sinto que minha vida é digna de ser vivida. Talvez tudo isso seja uma mistura de sorte, com muito trabalho e disciplina, de estar satisfeito com pequenas coisas, de fazer o que quero, de arriscar, de apostar, de não me importar, também de ser egoísta, metódico, consistente e até meio estúpido. 

No entanto, minha vida está bem longe de como eu gostaria que fosse tendo 34 anos, como era na mente de um jovem que imaginava posses materiais inalcançáveis, mas que nunca imaginou quanta imaterialidade caberia na cabeça e no coração. Ainda assim, sigo no meio desse caos ordenado, dessa felicidade melancólica, no meio disso, sem ser pior ou melhor que nada nem ninguém, só grato por poder apreciar uma amendoeira-da-praia em uma noite qualquer em uma praia na Paraíba.


Acima, a foto que eu tirei no dia em que me dei conta de que eu estava em pessoa no cenário que tanto desejei. Era um dia de lua, mas ela já não estava refletida na água nesse momento. Vida que segue!

CARPE DIEM

sábado, 22 de março de 2025

A última sobre mortes

Ainda inspirado sobre como todos os tipos de morte agem em nós, decidi escrever sobre as mortes na minha vida, já que, surpreendentemente, quase todas, mesmo que poucas, foram traumáticas e repentinas. Não que a morte por si só já não seja traumática, mas sim da forma como aconteceu comigo, ao menos.

Considerando as mortes de pessoas próximas, que eu lembro sem precisar consultar ninguém sobre detalhes, a primeira que perdi foi meu avô materno. Ele morreu de câncer e eu nunca lembro o ano ou qual tipo de câncer, tendo sempre que perguntar a minha mãe. Das lembranças que tenho dele, são ele acusando a mim (seu neto, uma criança de, sei lá, 8 anos) de roubo por que eu achava moedas pela mansão em que ele e minha avó moravam.

Eles moravam em uma mansão porque eram caseiros da chácara onde a mansão ficava, na cidade de Goiânia. Hoje eu não sei mais sobre a real história das moedas. Se eu estou certo, eu realmente achei moedas e me sentia o máximo achando, então peguei algumas do cofrinho dele e fingia que achava. Acho que foi isso.

Também lembro dele puxando a minha orelha com muita força porque saí da casa sem autorização para ver uma pipa que caiu do outro lado da rua. Por fim, lembro EXATAMENTE o dia de sua morte: estavam todos apreensivos com a fraqueza extrema do meu avô, que nos últimos dias estava em casa acamado. Eu estava com minha irmã em uma goiabeira no quintal quando ouvi minha vó gritar "O Severino morreu!", eu e minha irmã ficamos assustados e eu disse pra ela "Talvez ele só desmaiou", quando fomos surpreendidos pela dona da mansão, muito amiga dos meus avós, dizendo "Ele realmente se foi!".

Poucos anos depois a notícia da próxima morte: um tio materno, o José. O irmão mais velho da minha mãe, o que aparentemente ela mais gostava e o que era muito parecido comigo. Se eu não me engano, ele, que era caminhoneiro, foi encontrado morto dentro do caminho após ter sofrido uma parada cardíaca aos 45 anos. Também não tenho certeza da idade.

Apesar de eu ter poucas memórias afetivas com ele, assim como com meu avô Severino, a morte dele repercute de uma forma muito maior na minha vida até hoje. Isso porque são muitas as variáveis envolvidas e que se cruzam no meu destino. Primeiro, ficou incerto se ele morreu por abuso de medicação, álcool ou outras drogas. Segundo, ele já tinha um histórico péssimo de saúde, tendo recebido um rim da minha mãe cinco anos antes por conta de falência renal.

Terceiro, e o mais importante, ele poderia ter a doença genética que eu tenho, mas que a família só descobriu recentemente, o que, por isso, me faz pensar muito mais sobre vida e morte, e o tempo que me resta. Atualmente, apesar de já tomar remédio para o coração, meus exames dizem que estou extremamente saudável, mas manter isso não é uma tarefa saudável, e a energia que gasto com meu cérebro me deixa exausto.

Eu lembro como se fosse ontem o dia em que minha mãe recebeu a notícia da morte do meu tio. Estávamos em alguma fazenda entre Ribeirão Cascalheira e Querência, no Mato Grosso, quando o telefone da casa da fazenda tocou e era pra ela a ligação. Não lembro quem era, mas lembro que ela dizia "Fala logo o que aconteceu!", e quando ela soube lembro dela deitada na cama de um dos quartos chorando inconsolavelmente.

O enterro foi em Goiânia, assim como o do meu avô Severino, pai de José. Eu não fui a nenhum dos enterros, aliás. Meus pais não me levaram e nem a minha irmã, por algum motivo.

Novamente, posso estar enganado, mas pessoas realmente próximas não morreram em um grande período de tempo, quando, infelizmente, meu avô paterno faleceu. Foi em 2010, após algo muito ruim acontecer com meu pai. O pai do meu pai, Antonio Carlos, conhecido como Carlão, com quem eu tive muitas memórias afetivas, sempre foi um modo de perceber como pessoas boas também podem ser más.

Passei a infância e adolescência sabendo histórias de como ele tratava mal a minha vó e outras pessoas, era violento, grosso, traía, mas era um amor com os netos e amigos. Ele já estava debilitado e, para mim, nunca ficou claro se ele se matou ou se também abusou demais de medicações e álcool na noite em que morreu. Mas foi encontrado de manhã, dado a entender que morreu dormindo. Ele foi enterrado na cidade em que morávamos, Barra do Garças.

Dois anos e um mês depois, eu perdi o Junior, como já contei aqui. Foi a primeira pessoa com quem me relacionei amorosamente e que morreu. Depois disso, nunca perdi alguém enquanto estava com a pessoa, mas lembro ao menos de outros quatro rapazes com quem já estive e que não estão mais vivos, um deles conto adiante.

Antes, porém, quatro anos depois do Junior, em 2016, também em um dezembro, minha mãe perdeu outra pessoa. Dessa vez, a mãe dela. Minha vó materna, a Vó Marina, se foi. Ela com certeza foi a pessoa mais próxima que perdi até hoje, afinal eu, com meus 25 anos, na época, havia passado 25 anos sabendo que ela era minha vó, a vendo todos os anos, sem exceção, e recebendo seu amor.

Ela era, e é, um dos maiores exemplos de ser humano que eu tenho até hoje, embora isso não seja exatamente uma coisa boa. Explica: ela era extremamente acomodada com o jeito como a vida era, era aquilo e PRONTO e eu invejo isso, por que eu, por exemplo, não aceito muita coisa que chega até mim.

Parando pra pensar agora, ela era muito peculiar, muito única. Não lembro de conhecer alguém igual a ela, que vai sempre ter um espaço no meu coração. Seus últimos dois anos foram bem difíceis, estava muito debilitada, mas os filhos cuidaram como puderam, até que, um dia, enquanto estava na casa de uma das filhas, não minha mãe, em uma fazenda no interior do Mato Grosso, ela piorou e morreu. O enterro também foi em Barra do Garças onde estão, agora, todos os túmulos da minha família materna, e do meu avô paterno.

Ainda sobre a morte de pessoas com quem me relacionei, lembro desses outros quatros, mas um me marcou. Acho que foi entre 2017 e 2018, um dos períodos mais longos em que estive solteiro e conheci esse meu vizinho. Ele morava dois andares acima de mim, parecia uma boa pessoa, apesar de triste. Não notei nada de estranho nele, nada incomum, como percebo em várias pessoas que conheço.

Mas semanas depois de ter conhecido e ficado com ele uma noite, soube que ele havia morrido. Sua mãe o encontrou já sem vida dias após ele não falar com mais ninguém. Eu soube pelo porteiro e pronto: o trauma estava instalado. Até hoje, vez ou outra, principalmente quando estou só, me vem este medo de morrer e ser encontrado dias depois, por que não tenho ninguém próximo o suficiente pra não me deixar apodrecer na cama caso eu morra subitamente. Não que importe para mim pós morte, mas enquanto estou vivo, infelizmente isso é algo que consome a minha mente, como eu disse, vez ou outra.

Chegamos a 2019 e, em agosto, perdi minha única bisavó viva. Apesar de não ser extremamente ligado a ela, tinha a visitado recentemente e ela era maravilhosa. Só ouço coisas boas sobre e as poucas vezes em que estive com ela pessoalmente comprovei como era um ser de luz, felicidade e serenidade. Eu lembro o ano, pois fiz uma tatuagem na mesma semana em que ela faleceu.

E então, quase seis anos depois sem absolutamente ninguém próximo de mim morrer, no último dia de fevereiro de 2025 recebo a notícia, dada pela minha mãe, em uma noite de sexta-feira de Carnaval que o meu primo havia morrido. Ele, que tinha pouco mais de dois ou três anos de vida do que eu, era forte, bonito, rico, esperto, gente boa, simplesmente não está mais entre nós.

Não o considero, porém, mais próximo do que minha vó materna, claro, por motivos óbvios, mas também por que diferente da minha vó Mariana que eu via todo ano, havia anos em que eu não via o Caio.

E são essas minhas ligações com mortes, que provavelmente definem parte de quem sou hoje. Isso tudo muda a gente e, eu falo com certeza, que foram poucas, e isso mexe muito comigo. Porque a cada ano que passa a possibilidade de haver mais mortes é real, e me preocupa, me faz ser ainda mais sedento pelo hoje, pelo agora, por amar todos que amo cada vez mais e não querer vê-los partir, assim como também não quero partir, claro.

Sinto que isso me torna fraco. Não me sinto preparado para nada. Ainda que tenho passado por outros tipos de luto, diversos, envolvendo trabalho, amores, amigos, e as mortes que ocorrem todos os dias a todos os momentos, dos anônimos aos famosos, nada disso me prepara. Acho que não prepara ninguém.

Ao menos eu posso escrever, o que ajuda a drenar essa tempestade que é minha mente. E assim, quem sabe, renascer de alguma forma. Fazer o que posso por quem já foi, e viver o meu dia.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Ainda sobre morte e vida

Ele morreu há pouco mais de 13 anos. 13 anos e três meses para ser exato. Era uma quarta-feira, dia 21 de dezembro, e o próximo final de semana era Natal. Tínhamos a mesma idade: 20 anos. Nos conhecíamos há apenas 14 dias. Duas semanas. Metade de um mês.

A primeira lembrança que tenho foi dele passando por mim vestindo aquela roupa, um uniforme todo preto e elegante, na festa de inauguração do salão em que ele trabalhava. Ele me ignorou completamente, mas era compreensível, era muita gente, tudo precisava estar perfeito e ele estava trabalhando, afinal. Eu era convidado. Na verdade, minha mãe era e me levou, já que ela e a dona do salão eram grandes amigas.

Eu não desisti e, dias depois, com a ajuda da minha mãe, que era cliente dele, consegui chamar um pouco de atenção e conversamos pela primeira vez no Facebook. Daí em diante, os papos confirmaram o por quê de ele não ter me dado atenção na festa:

"Sou tímido", "achei que você era hétero", etc.

Mas bastou alguns dias conversando para que nos encontrássemos pessoalmente. Infelizmente não lembro do primeiro encontro, exatamente, mas sei que ele foi a primeira pessoa com piercing na língua que beijei. 

Lembro também dos passeios de moto, dos fins de tardes à beira do Porto do Baé e de um momento específico em que estávamos sozinhos na casa dele, nus pela primeira vez, em que perguntei o que era aquele furo na protuberância de pele logo acima do seu umbigo.

Que ingenuidade a minha, era a marca de outro piercing. Só fui me dar conta dias depois, já depois de sua partida. O mais triste, porém, foi ele ter mentido que era uma cicatriz. Triste não por que ele mentiu, mas o por quê ele o fez: tinha vergonha daquilo, do próprio passado.

Não quero entrar em méritos dos porquês ele estava neste processo de mudança que o fez sentir vergonha dos últimos anos, tudo isso envolve a patroa que era (é) evangélica e o "ajudou" a mudar de vida.

A questão é que ele era transformista, ou dragqueen, e premiada!

Mas, aparentemente, tinha abandonado aquela vida por uma mais discreta, mais "máscula" até, por conta dessa patroa, por conta própria também talvez e sabe-se lá mais o porquê. Mas isso foi o que descobri depois de sua morte, então realmente não importa.

Ainda durante os 14 dias de "namoro", a única coisa que restou foi o histórico de conversas no Facebook, e eu reli hoje, depois de passar por lutos metafóricos e literais e ler livros sobre lutos metafóricos e literais. Lembrei dele e reli tudo, com muita tristeza.

Naquela época, coincidentemente, ambos iríamos tirar férias no próximo fevereiro e o sonho dele era conhecer Salvador. Algo tão simples, tão "fácil" de realizar. Mal tivemos tempo de planejar a viagem. Outro sonho dele era fazer faculdade, queria fazer ciências contábeis e deixar o trabalho de cabeleireiro. Quantos sonhos mais ele devia ter e que foram enterrados com ele antes mesmo de qualquer chance de realizá-los.

Tanta coisa em tão pouco tempo. Tudo escorreu pelas minhas mãos, por nós, já que eu fiquei.

Era uma quarta-feira, como eu disse. Eu voltava do almoço para mais um dia qualquer de trabalho. Dirigia o carro da minha mãe, pois ela ficava com o veículo do trabalho dela, e morávamos longe do centro. 

Não lembro se já contei a história aqui, mas já contei várias vezes em outras ocasiões e novamente: parei na esquina do trabalho por conta do semáforo, que estava vermelho. Não estacionei antes, pois era um inferno encontrar vaga por ali, então eu precisava cruzar aquela que era a principal Avenida da cidade e, quando deu verde, eu só fui devagar, olhei à esquerda e a primeira coisa que vi foi uma ambulância socorrendo um homem loiro vestindo um uniforme preto e elegante.

Eu já sabia, de algum jeito eu já sabia, era óbvio e só não quis acreditar. Estacionei o mais rápido que eu pude, corri para a loja de móveis planejados onde eu trabalhava e que era quase em frente ao local do acidente - a ambulância já havia o levado - e liguei para o salão em que ele trabalhava. Perguntei se ele estava lá e a resposta foi de que ele havia acabado de sair para almoçar. Então eu precisei avisar que era ele quem poderia ter sofrido um acidente de moto na Avenida e que avisassem a mãe dele para todos terem certeza.

Nesse meio tempo eu precisei visitar um imóvel em construção, tirar medidas de paredes, um trabalho simples, que parecia simplesmente impossível. Naquela altura eu não sabia mais quantos centímetros formam um metro sequer. Tentei, mas voltei para a loja onde, então, eu soube que ele estava no pronto socorro, que o trauma no crânio havia sido gravíssimo e ele estava vivo apenas com a ajuda de aparelhos, já que o coração continuava batendo.

Fui liberado do trabalho, fui ao hospital esperar com a família e amigos, mas bastou algumas horas mais para sabermos o que já sabíamos, não havia solução. O caminhão que o acertou na cabeça fez um estrago muito grande, mesmo com o uso de capacete.

Eu nunca soube como aconteceu, acho que ninguém, ele apenas caiu da moto naquela maldita avenida principal da cidade, onde a descida era amena, e a moto foi para a calçada, enquanto ele foi parar debaixo de um veículo que pesa dezenas de toneladas.

Depois do anúncio oficial da morte, eu lembro apenas de flashes: fui ao velório, que aconteceu na casa dele, toquei no corpo já sem vida, enquanto minha mãe me abraçava e chorava, fiquei por alguns minutos no quarto dele, agora sozinho, sem carinho, sem conchinha, sem sustentação. Fui ao enterro no dia seguinte e, quanto o túmulo foi fechado, uma pequena ficha caiu, nunca mais o verei. Após isso, eu não conseguia comer, comi meia pera em dois dias, dormi muito e, depois, o processo do luto aconteceu como acontece com todo mundo, acredito eu.

Não há nada demais na história em si, e ao mesmo tempo há tudo. É um episódio triste da minha vida, como acontece com absolutamente todas as pessoas do planeta Terra. Eu também não sei que coisas este trauma desencadeou na minha vida. Eu sinceramente não sei se isso me marcou a ponto de eu me tornar alguém diferente do que eu era, mas provavelmente sim.

Acontece que eu acho que mudei muito e muito de tudo que acontece na minha vida me muda. Graças ao Universo acredito que a grande maioria dos acontecimentos me fez genuinamente bem, trazendo mudanças que me fazem ser uma pessoa melhor, mas outras me fizeram mal e me fazem ter atitudes de uma pessoa não tão boa. Espero que eu seja mediano, ao menos.

Acho que fico por aqui, já foi muito doloroso reviver tudo isso, mas senti necessidade de escrever isso, então aí está. Como acredito em vida após morte em terra, espero que Junior esteja bem, ele definitivamente merece paz, seja em espírito ou, quem sabe, em uma nova vida ganha em algum lugar por aí.

Enquanto a mim, enquanto eu viver acho que talvez algumas coisas não mudem: a vontade de fazer o que quero, o amor que tenho pela vida, a importância que dou pra quem está próximo de mim, o reconhecimento de que eu posso e devo errar para poder seguir e a certeza absoluta de que eu mereço muito tudo de melhor que possa vir e que eu mereci tudo de melhor que já veio.

Das pessoas da minha família que amo, dos amigos que amo, dos amores que amei e ainda amo, do conhecimento que adquiri, dos trabalhos que conquistei, das viagens que fiz, dos auto cuidados aos quais me proporcionei, da paz que recebi, tudo que eu mereci e hei de merecer um dia após o outro até que seja, então, a hora de partir, demore ou não, não tem problema quando. Tudo tem que valer a pena!