terça-feira, 1 de abril de 2025

A amendoeira-da-praia (postagem 600)

Era um dia qualquer de 2022 e eu estava rolando o feed do Instagram, como bilhões de pessoas fazem diariamente, quando um vídeo me chamou atenção: com uma música agradável, a filmagem mostrava uma árvore em uma noite qualquer em uma praia de João Pessoa, capital da Paraíba. Aquela árvore (uma amendoeira-da-praia) estava entre a areia e a calçada e se mexia enquanto era tocada pelo vento, em um ambiente praticamente deserto e a lua refletindo no mar. Aquilo não parecia perfeito, aquilo era PERFEITO.

Salvei aquele vídeo e imaginava como seria morar ali. Anos depois, não mais que três, cá estou morando em João Pessoa, desfrutando do que era apenas um sonho. Um sonho simples, pequeno, admito, mas que pode não ser de fácil acesso para muita gente. Não se trata, porém, de meritocracia, de presente de Deus, de "eu mereci", avalio apenas como: de alguma forma fui e fiz. 

Este texto, porém, é mais uma despedida do que o sonho realizado por si, já que eu estou indo embora daqui hoje. Sinto que meu tempo na cidade já deu. Foi o suficiente. Mas só recentemente, caminhando pela praia a noite, aqui perto de casa, sentindo o vento, vendo a lua refletida no oceano e, claro, vendo uma amendoeira-da-praia (também chamada de sete-copas e outras dezenas de nomes), é que me dei conta desse pequeno sonho foi realizado, e muito bem realizado.

Lembrei do vídeo que salvei por tanto tempo, que eu assistia frequentemente até que caiu no esquecimento. No fim, eu tive o privilégio de vir morar a apenas alguns metros de uma praia que poderia ser muito bem aquela praia do vídeo. E não só é uma praia, como é uma praia bonita, pouco frequentada, segura, agradável e foi minha por longos rápidos quatro meses.

Por vezes, eu vejo esses pequenos sonhos se realizarem e entendo o por que eu sinto que minha vida é digna de ser vivida. Talvez tudo isso seja uma mistura de sorte, com muito trabalho e disciplina, de estar satisfeito com pequenas coisas, de fazer o que quero, de arriscar, de apostar, de não me importar, também de ser egoísta, metódico, consistente e até meio estúpido. 

No entanto, minha vida está bem longe de como eu gostaria que fosse tendo 34 anos, como era na mente de um jovem que imaginava posses materiais inalcançáveis, mas que nunca imaginou quanta imaterialidade caberia na cabeça e no coração. Ainda assim, sigo no meio desse caos ordenado, dessa felicidade melancólica, no meio disso, sem ser pior ou melhor que nada nem ninguém, só grato por poder apreciar uma amendoeira-da-praia em uma noite qualquer em uma praia na Paraíba.


Acima, a foto que eu tirei no dia em que me dei conta de que eu estava em pessoa no cenário que tanto desejei. Era um dia de lua, mas ela já não estava refletida na água nesse momento. Vida que segue!

CARPE DIEM