quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Eu nunca ... até hoje

Eu nunca fui pedido em namoro,
Nem nunca me pediram um palpite

Acredite

Nunca me roubaram um beijo,
Nem nunca me chamaram pra dançar

Pode acreditar

Eu nunca ganhei uma festa surpresa,
Nem nunca uma loucura me fizeram, por amor

Entenda isso, por favor

É difícil admitir que tenho muitos nunca,
Logo eu, que faço questão de o 'nunca' não dizê-lo

Mas mesmo para eliminá-lo, o cuido com zelo

Nunca uma música ou poema foram compostos pra mim
Mas escrever, pra muitos, eu já o fiz

Eu merecia tudo isso e por não ter desabei e me refiz

Eu nunca me arrisquei à uma viagem ao exterior
E também nunca me chamaram do nada pra trabalhar

É sempre eu, eu e eu que preciso ir atrás

Até hoje, estes e outros nunca me assolam, queria bani-los
Que sabe amanhã? Carpe Diem

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Preciso querer precisar para poder

Eu estou gratificado pelo agora, como sempre estarei
Deitado em minha sala sentindo a solidão correr pelas veias
Me amando como nunca, mas não dando o melhor de mim
Pensando nos fazeres que estou precisando querer para poder

Para tal, praticar a ousadia é uma das coisas que devem servir
Como sentir a brisa de cada canto da rosa dos ventos neste país
Tocar, em todos os sentidos, pessoas de cada parte deste planeta
Sentir o frio o calor, conforto e desconforto pelos quais não passei

E por falar em passar, passear... Mas não só isso, muito mais
Aventurar-se em experiências que me trarão de volta minh'alma voraz

A escolha é minha, mas a culpa de não ter ido ainda, não
As condições, porém, ruins, não podem ser falta de opção

Quero poder comer, rezar e amar com façanhas
Em cada costa, golfo, deserto, campo ou montanhas

Eu quero ir e voltar quando e como eu quiser
Eu quero o poder da liberdade, mas ser livre de verdade

Mas, a partir daqui, já busco no mundo uma utopia
Onde a liberdade que procuro é demais para muitos

Me deixem poder, eu imploro!
Eu preciso querer precisar para poder!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Expandir sentimentos

Hoje era um dia como outro qualquer, a não ser pelo fato da dose extra de esperança que me rodeava. Acontece que a dura realidade contra a expectativa gerada pela minha esperança me trouxe grandes consequências internas. Eu não sei o que houve comigo hoje, mas uma tristeza imensa me inundou. Eu me doei, me doo e doarei, mas cada dia fica mais difícil.

Eu precisava ter amigos ou companheiros e procurei por eles, mas não tive um retorno agradável. Eu vendi meu passatempo favorito porque precisava de dinheiro e minha distração se foi. Eu tinha uma oportunidade de emprego e investi dinheiro nisso, mas a oportunidade foi cancelada no minuto em que me candidatei. Eu não preciso de muito, mas parece que é o que exijo.

Eu me senti extremamente rejeitado hoje. Eu, que sempre fui uma pessoa aberta a ouvir as pessoas e ter tempo para elas. Eu gosto de ouvir, eu sei que eu preciso ouvir das pessoas o que elas têm a dizer, sejam coisas ruins ou boas, para que eu possa me tornar alguém melhor. Mas ninguém tem me ouvido, ninguém tem me atendido.

Amanhã é só mais outro dia, mas que Deus me dê forças pra fazer o que sinto no íntimo. Eu preciso de reviravoltas felizes de atônitas, boas de aventuras e agradáveis de passar na minha vida e

preciso

agora!

sábado, 23 de dezembro de 2017

O que foi 2017

Em uma união de satisfação, ansiedade, conforto e frustração, 2017 foi, sem dúvida, um ano comum. Nenhuma tragédia na minha vida ou com meus próximos e nenhuma grande realização me tornearam. Visto isso, ainda tenho muito o que agradecer, pois em meu ser o universo depositou um pouco de sorte e aptidões. Sorte por nunca me faltar o essencial, e aptidão para que eu provasse do que sou capaz.

A forma com que eu enxergo 2017 é branda, lógica e realista, ainda assim, me deixa entristecido. Parece que só devo ser grato por esta volta ao redor do sol. O pessoal do instagram posta tanta gratitude, né? Ironias à parte, minha gratidão se mistura muito com com o desapontamento. Neste anos o universo onde todos se conhecem, eu vi pessoas mais novas que eu alcançarem ápices inimagináveis com seu potencial, e vi, também, pessoas mais velhas tão fracassadas que dói. Como não ficar triste? Me abate ver fracassados, eu queria que todos se dessem melhor e mais: que EU me desse melhor.

Não enxergue só materialmente falando, apesar disso ter sua importância, mas em todos os sentidos, pois muitos encontraram neste ano, ou mantiveram, sua felicidade de alguma forma. isso os tornaram vitoriosos e enxergamos isso como sucesso. E isso é tão relativo, pois para alguns é capaz que me vejam bem assim também e de certa forma não é mentira. Estamos em patamares diferentes, mas todos somos capaz de tudo. E por ser capaz, eu gostaria ter me super destacado de alguma forma. O que não aconteceu, mais uma vez, este ano.

Eu estou feliz também, mantive um ano completo trabalhando home office, quase não adoeci, me diverti muito, mas também me senti muito só e incapaz de melhorar sobre alguns defeitos que possuo. 2017 foi basicamente mais um ano pra eu dizer que continuo otimista e o quanto quero chegar longe. Ainda sou novo, tenho que parar de matar meus sonhos. 2017, ainda há tempos de me surpreender, mas caso não seja possível, 2018, eu quero lhe usar.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Uma estória de natal do futuro e de traz pra frente

Nos noticiários recentes a machete "Adolescente mata mulher e é morto pela polícia" chama atenção. Os comentários também têm destaque pelo alto engajamento dos leitores: "Bandido bom é bandido morto!", "Já que o Estado não prende, o melhor é morrer mesmo", "Esse deveria ter sido abortado" entre outros.

Ele morreu e viveu infeliz durante todo o seu sempre. Foi isso que aconteceu com o jovem Júlio, de 17 anos, negro e da favela, quando foi baleado por Eduardo, branco, um policial de 28 anos, de classe baixa, treinado, mas cansado, desmotivado e que nunca havia matado um ser humano, nem nunca quisera. Júlio foi morto por ter cometido latrocínio. Ele assaltou uma loja onde Ivana, branca, uma simples balconista de 32 anos, da classe média, casada e que era feliz com seus dois filhos, trabalhava. Enquanto o menor pedia por dinheiro, a funcionária só conseguia continuar em choque e num mesmo momento uma viatura da polícia por ali passava. Algum tempo depois e tiros disparados, o cenário era de duas pessoas assassinadas e uma pessoa traumatizada pelo resto da vida. Disso, três famílias afetadas, a de Júlio durante toda sua vida, a de Ivana a partir de agora, e a de Eduardo, dali pra frente.

Antes disso tudo, Júlio, que já procurava um lugar de fácil acesso para assaltar, era ajudado por Marcelo, de 19 anos, negro e da favela. A diferença entre os dois, além da idade, era de hierarquia, pois Júlio consumia o craque e a cocaína vendidos por Marcelo e, este, por sua vez fazia com que Júlio, por ser menor assaltasse os lugares escolhidos por ambos, já que, se pego, não seria preso. Isso já era rotina de dois anos e juntos iam em cima da moto, de local em local, praticando os crimes, apenas roubo. Se a polícia aparecesse a ordem era Marcelo fugir e o Júlio se virar como podia, depois se encontravam no barraco, num bairro muito afastado da movimentação da cidade e armavam novas abordagens criminosas.

Isso tudo aconteceu, mas antes tem mais história, por que o Júlio, de 13 anos, pobre, negro e da favela, nunca teve a figura de um pai presente. Seu pai existe, o André, de 42 anos, negro, pobre, alcoólatra, desempregado e de paradeiro desconhecido, só que não podia ser lembrado pelo filho, já que tinha o abandonado antes mesmo de nascer. Mas Júlio tinha irmãos presentes, a Janete de cinco anos e José de oito, todos de pais diferentes e a mãe Ednalva, de 23 anos, negra, pobre e empregada doméstica que lhe dava apenas o de comer, pois não foi acostumada a viver com afeto e educação o suficiente para que pudesse repassar.

Durante a infância Júlio teve pouco contato com a escola, apesar de sua mãe insistir ao máximo que ele estudasse para não ser um ninguém, era difícil acompanhar o crescimento do filho com tanto trabalho. Então, por natureza e possíveis faltas de oportunidades, o pequeno Júlio não se sentiu atraído pelo sistema de ensino oferecido pelo governo. Matava aula com frequência para fazer o que tivesse vontade. Para a professora de história Bruna, branca, de 25 anos, classe média e solteira, era difícil ver o pequeno Júlio e imaginar o que se passava na cabeça e na vida do Jovem, mas para a professor de matemática Gabriela, de 37 anos, branca, classe média e casada, Júlio era só mais um aluno como qualquer um dos seus outros 146.

Com suas diárias garantidas, a empregada Ednalva consegue alugar um barracão para morar com seus dois filhos. Já era hora de sair da casa de sua conhecida, Odete, de 22 anos, branca, pobre e da favela, onde morava de favor.

Dezembro de 2017, a jovem Ednalva, de 16 anos, negra, pobre e moradora de favela, estava grávida e não sabia o que fazer. A mulher procurou André, de 29 anos, negro, pobre e pai da criança, mas ele disse que não poderia sustentar a ela e mais um filho. Ednalva lembra que no ano passado uma conhecida sua, Wania, de 18 anos, negra, pobre e da favela, morreu ao tentar abortar, então, por mais que essa ideia lhe passasse pela cabeça, não valeria o risco. Decidiu ter o filho, mas não tinha a mínima ideia do que fazer, pois morava com a vó, Lúcia, de 65 anos, negra, pobre que a expulsou quando soube da gravidez. A alternativa foi morar com outra conhecida em troca de cuidar de seus filhos.

Abril de 2016, Wania, de 17 anos, é encontrada morta em casa e laudo preliminar indica tentativa mal sucedida de aborto. Wania havia sido estrupada, mas ninguém sabia. Nos noticiários compartilhados pelas redes sociais as machetes só diziam que ela havia sido encontrada morta pela tentativa do aborto, mesmo. Os comentários mais engajados na internet eram: "Se tivesse fechado as pernas duvido que isso teria acontecido", "Foi tentar assassinar o bebê, acabou morrendo também", "Não sabia usar uma camisinha? Nem anticoncepcional. O Estado dá isso de graça", "Quer matar? Que morra junto!", entre outros.

Uma das pessoas que comentou foi Fabiana, de 32 anos, branca, da classe média, casada, dona de casa e mãe. Fabiana passa o dia na internet comentando sobre tudo, pois é "apenas a opinião dela", enquanto isso seu filho Eduardo, de 9 anos brinca de arminha com um colega, seu sonho é "ser policial para poder prender os bandidos".

FELIZ NATAL E FELIZ 2035

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Não há volta

Acredito que não há volta. Não há volta ser quem eu sonhei em ser. E quando você sabe que poderia ser uma pessoa melhor com a ajuda dos outros? Sozinho eu vou pra onde nessa vida? São tantas perguntas e não vou me privar de fazê-las hoje. Eu sei que não há volta, pois sigo só há tempos e não me contento mais com companhia nenhuma. Só quero continuar seguindo só, e sei que assim não irei longe.

Eu me estabilizei em uma rotina onde não parece possível encaixar alguém. Ao se aproximar, qualquer um que seja, logo é repelido pelo óbvio que me cerca. Quando digo que não há volta, é por que não há. Mas também digo que sempre há esperança, ainda que tardia, ainda que quase apagada se comparada há uma fogueira sob uma garoa. Mas e se uma tempestade vier? Estaria tudo acabado?

Eu espero do fundo do coração que surjam circunstâncias e, principalmente, pessoas que me ajudem. Tenho consciência de que tudo parte de mim, mas sozinho é muito difícil. Não vou desistir, mas anseio pelo dia que coisas extraordinárias comecem a acontecer sem que eu precise arduamente agir sozinho.

Enquanto isso, vou segurando as pontas, não há muitas opções. Mas sigo feliz, na medida do possível, até por que, nas minhas pequenas vitórias, de dia em dia, eu consigo ser minimamente feliz. Eu quero mais!

domingo, 24 de setembro de 2017

Tarde demais

É certo dizer que nunca é tarde para nada, para tudo, para o que for. Mas, sempre há um mas, não quer dizer que não exista uma sensação de que algumas coisas estão tarde demais para acontecer ou começar. Ultimamente tenho sentido isso, e sei que passageiro ou ato falho, mas sinto, e sinto, ainda, que nada posso fazer.

Tenho medo de que tudo que eu sinta ser tarde demais vire uma bola de neve e que, aos 40, 50, 60, realmente seja tarde demais. Eu tenho apenas 26, mas já tenho 26, e apesar de ter conseguido fugir de diversas pressões que o sistema exerce, parece que sempre existe algo que te empurra, pra baixo, pra cima, para os lados.

Acontece que eu não estou conseguindo - isso é certeza - utilizar a pressão exercida sobre mim de um modo cem por cento efetivo. Acredito que eu esteja um pouco acima da média, falando sobre salários ou posição social, apenas por ter um pouco de sorte e de circunstâncias razoáveis. Agora, parece que não conseguirei ir adiante, parece que a sensação de que não farei algo grandioso, ou suficientemente rentável para ter uma vida regada de sonhos realizados, é cada vez mais concreto.

Não desisto eu dos sonhos, mas ser realista em certos pontos é dolorido. Esperança não me falta, mas falta com certeza algo dentro de mim que, fisicamente, me fizesse, supostamente, alcançar a glória de um salário gordo, uma carreira sólida, uma companhia fiel e viagens, casa, carros, enfim, tudo o que, atualmente, parece me ser felicidade material.

Não será tarde, espero, enquanto eu estiver vivo. Mas sensações como essa me corrompem um pouco, procuro gratificação em situações que, depois, me trazem asco. Eu preciso de ajuda desesperadamente. Vida que segue, dia que finda.